sexta-feira, 5 de abril de 2013

Trem

Acredito que os acontecimentos da vida sejam como moléculas em colisões sucessivas.
Talvez a vida seja um trem. Talvez a frase decorada de "A Origem" que meu irmão me falava antes de dormir seja certa.
Talvez realmente estejamos esperando um trem que nos levará para longe.

De qualquer forma, os devaneios no momento são tantos e tão confusos que me perco pra conseguir demonstrar a felicidade em conseguir minha primeira entrevista de estágio.

Há tanto eu espero algo da vida e há tempos não percebo que recebo tudo todos os dias.
Talvez meu jogo do contente só apareça quando eu sinto a movimentação do meu trem. Quando eu olho pela janela e resolvo reparar em todas as árvores que pelo caminho vão se sucedendo e então, mesmo perdendo pequenos detalhes do restante, vou me lembrar das árvores. E depois de um tempo, como de costume nas viagens, eu vou reparar em coisas menores e mais delicadas. Como as pedras e coisas do acostamento.

Meu mal é ter devaneios constantes. Talvez isso implique na criação de um mundo particular do qual algumas pessoas insistem em dizer que eu vivo.

E nesse mundo particular eu estou incrivelmente feliz. Feliz por ter conseguido minha primeira entrevista de estágio no primeiro semestre de um curso que a vida deu voltas pra fazer eu encontrar. Não necessariamente encontrar, mas aceitar que era a coisa certa.

O mesmo adjetivo certo que envolve o trem que nos levará pra longe.

E então eu penso: minha felicidade é distante ou é perto? é real ou é meu mundo? é o trem ou é a árvore?
Não sei. Mas sei que posso pular à bordo e posso pular no acostamento.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Monumento

E mesmo valorizando o amor acima de todas as coisas, mesmo vivendo na utopia de ver todos sorrindo, meu maior medo é virar pedra.

E mesmo depois de todas as cervejas, mesmo depois de todas as danças, mesmo depois de todas as risadas, todos os abraços, todas as lágrimas, meu maior medo é virar pedra.

E mesmo depois de tudo dar certo, mesmo depois de entender muitas coisas, mesmo depois de viver muitas coisas, meu maior medo ainda é virar pedra.

E que eu vire.
Vire um monumento com histórias fantásticas sobre meus amores, meus sorrisos, minhas cervejas, minhas danças, minhas risadas, meus abraços, minhas lágrimas, minhas conquistas, meus entendimentos, minhas vivências.

Vire um monumento que não se esqueça de tudo isso, e então um dia de Sol escaldante, eu derreta e me espalhe por aí. E que se espalhe comigo todos os meus amores, meus sorrisos, minhas cervejas, minhas danças, minhas risadas, meus abraços, minhas lágrimas, minhas conquistas, meus entendimento, minhas vivências.

Porque no final a pedra quebra.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Paola e a papepipoética.


Lembrei disso agora há pouco:
Barquinho carregado.
Barquinho carregado com a letra P.
Psicodelia, psicopata, Paola, penta, Pink Floyd, pitoresco, papel, pintura...
Poética.

Poxa, porque p?
Porque p parece produzir pedaços poderosos pela psique.

Psique, ponta, pato, pinto, persuasão...
Pondere.

Pondere pequenos pobres. Podres.
Pense.


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Leva-me

Querem me levar para Europa ver castelos de antigos prepotentes medievais, se esquecendo inteiramente que em sua idade contemporânea ainda há castelos novos prepotentes contemporâneos.Me leve para lugares que NatGeo, Discovery e outros não divulguem. Lugares que me levem ao limite da imaginação.
Esse é o grande problema: Somos apegados ao sonho e loucura adormecidos e quando temos oportunidade de acordar e compreender, ficamos com medo da verdade crua. Nosso problema é o sedentarismo imaginário, nosso quarto ainda tem monstros. Não sabemos se adoramos a cegueira do dia nos mostrando a realidade superficial ou se nos viciamos no poder de imaginação que nossa mente ativa na escuridão da noite ao ver a necessidade gritante de uma nova criação.

Leva-me ao limite do desconhecido. Não tenho medo. Aprendi a brincar com os monstros que conheço.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Vejo tudo da minha rede na varanda.

Não gosto de dependência, não gosto de carência e não gosto de pedidos.
Pelo menos não dessa dependência que puxa a carência que puxa um pedido.
Detalhe: O pedido é sutil. É como a mordida na maça enfeitiçada da bruxa...É só um pedido, sem juros. Só que não.

Não gosto de pessoas que te acusam de ser líder de um motim que elas mesmas fizeram acontecer e eu, como participante quase nula, tive culpa total só porque numa brecha tentei uma participação pacífica e acabei como a líder do discurso final que foi interpretado de maneira errada. A mesma merda de clichê.

A real é que a galera reclama da consequência antes de refletir e entender a causa.
A galera vê o hoje cobrando o ontem.

Não gosto de pessoas que não dão crédito ao que você fala e depois que a merda acontece repetem o que você estava falando. Mas é isso...A galera gosta mesmo de ver a merda bater no ventilador e voltar. É mais fácil do que ouvir. Não precisa acatar. Nada é lei. Mas ouça, pondere o que pra você possa ser relevante, pegue o que vale e o resto joga fora. Não é tão difícil. Mas é isso...A galera gosta mesmo é de complicar coisinhas simples.

Tou cansada.
Tou tão cansada que agora eu deixo eles se sujando e se complicando sozinhos.
Vejo isso de uma rede, na varanda, sentindo uma brisa gostosa, me enchendo de chocolate enquanto a galera se mata ali do lado. E sabe, o caos nunca me pareceu tão tranquilo.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O olhar entre as paredes rabiscadas

No meio de tantas informações visuais que recebemos, alguma coisa se destaca sempre: O olhar do outro.

Na balada, no intervalo entre um flash e outro.
Na calçada, cruzando o caminho.
Na festa, pegando a mesma comidinha ou a mesma bebida.
Num lugar, estranho e diferente, entre paredes rabiscadas e pessoas diferentes.

E foi aí que eu entendi o sentido do olhar "Me add depois". Posso estar um tanto quanto equivocada, um tanto quanto chapada, um tanto quanto errada...Mas foi essa a sensação que eu tive. E por ser sensação, o valor disso aumenta, já que prezo muito o sentir. 

E foi simples assim: Senti que era o olhar do "me add depois". 

E adicionei.

domingo, 16 de setembro de 2012

A parte de mim

Digamos que o que será escrito agora seja a bolsa estourada da minha gestação.
Dores de parto. É isso que eu sinto. Contrações que me pegam em momentos que eu menos preciso.
Preciso parir logo, mas vamos por partes. E que comece com a bolsa estourada.

Hoje, 16 de setembro, domingo, São Paulo, Consolação. Eu fiquei ali vendo a luz do dia bater na fumaça do cigarro queimando, o meu único companheiro aquela hora. E voltei. Voltei no tempo e me perguntei de novo sobre o futuro. É meu defeito.

Esse ir e voltar são minhas contrações. Respirei e esqueci que há exato um ano você gritava numa festa que estava apaixonado por uma menina de dezoito anos.

Respirei e cheguei no hoje. Vazio como todos os domingos, porém ensolarado como a vida.
Procurei em pequenezes todas as distrações racionais e filosóficas. Tudo isso pra não lembrar do meu desconforto e poder fazer parte de mim.
E é isso...Fiz parte de mim.

Só me esqueci que carrego dentro de mim uma cria ingrata, que carreguei por 10 meses. O que me consola é que uma hora ou outra ela sai e, quando sai, a dor se vai.

E então eu volto a fazer parte completa de mim novamente.

sábado, 1 de setembro de 2012

Lobotomia

Saudade, falta de ar, choro no banho e vontade de ligar.
O romance que poderia ter sido e que não foi.
Chora, chora, chora.

Mandou chamar o amigo gay:
-Diga "ele não merece isso"
-Ele não merece isso...Ele não merece isso...Ele não merece isso.
-Beba.

-Gata, você tem um buraco de saudade no peito e uma lembrança aguçada.
-Então, não é possível tentar uma lobotomia?
-Não. A única coisa a fazer é beber uma garrafa de vodka.


(Minha versão do poema "Pneumotórax" de Manuel Bandeira)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Táxi Lunar

Tou pensando em perguntar pro Geraldo Azevedo em que beira mar ele apanhou o táxi pra estação lunar.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Senhor Bêbado.

‎(No terminal)
Senhor bêbado: Moça...Você é muito, muito bo-bo-bonitona.
Eu: Sério?Muuuuuuito obrigada, então.
Senhor bêbado sorri e diz: Você gosta de mim?
Eu: Olha, pra ser sincera...Eu acho que eu gosto de todo mundo.
Senhor bêbado: Mas que beleeeeeeeeza. 

domingo, 29 de julho de 2012

Deimos e Fobos.

Desde pequena eu gostei muito da Lua. Imaginava que ela usava um vestido preto, sapatos e batom vermelho, algumas jóias e uma maquiagem noturna.
Já o Sol, o imaginava como um homem sozinho aparecendo apenas para manter a luz de fazer as pessoas levarem suas vidas. Nunca criei uma imagem dele.

Sempre gostei dos dois. Dias ensolarados sempre me fizeram feliz, agitada e esperançosa. Noites com lua cheia sempre me fizeram sentir segura com tudo o que viesse no dia seguinte. Parecia que ia dar certo.

Eu sou Lua e você Sol. Somos incríveis separados e somos mágicos juntos, como num eclipse.

Se ocorresse sempre, o eclipse não seria mágico, mas quando ocorre...

O que pode ter acontecido? Talvez eu tenha sido ansiosa querendo que o dia passasse logo e você gosta de ser o tipo de Sol do Alasca. Na sua, sem Lua, por seis meses.

Nossas rotações se perderam.
Acontece, que a Lua só é brilhante e bonita por causa do Sol e o Sol só é adorado por espantar os medos que a noite nos faz criar.

Existem várias Luas, mas existe só um Sol.

Você sempre quis ir pra Marte. Vai lá...Serei Deimos e Fobos.

sábado, 28 de julho de 2012

Não é assim.

"De tanto eu te falar
Você subverteu o que era um sentimento e assim
Fez dele razão pra se perder
No abismo que é pensar e sentir

(...)
Eu só aceito a condição de ter você só pra mim
Eu sei, não é assim, mas deixa
Eu só aceito a condição de ter você só pra mim
Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir."

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Mood

"Não briguei mais por você, porque ter você seria muito menos do que ter você. Não te liguei mais, porque ouvir sua voz nunca mais será como ouvir a sua voz. Não te escrevo porque nada mais tem o tamanho do que eu quero dizer. Nenhum sentimento chega perto do sentimento. Nenhum ódio ou saudade ou desespero é do tamanho do que eu sinto e que não tem nome. Não sei o nome porque isso que eu sinto agora chegou antes de eu saber o que é. Acabou antes do verbo. Ficou tudo no passado antes de ser qualquer coisa. Forço um pouco e penso que o nome é morte. Me sinto morta. Sinto o mundo morto. Mas se forço um pouco mais, tentando escrever o mais verdadeiramente possível, percebo que mesmo morte é muito pouco. Eu sem nome você. Eu sem nome nós. Eu sem nome o tempo todo. Eu sem nome profundamente. Eu sem nome pra sempre."

sábado, 2 de junho de 2012

Oceano de Segredos

"O coração de uma mulher é um oceano de segredos" - Rose (Titanic)

E se o meu fosse um oceano existente, aqui da Terra...Seria o Pacífico. Seria o Pacífico com todos seus onze mil e trinta e sete metros de profundidade.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Rainbow

Sabe aquelas tardes confortáveis onde a brisa é suave, a luz é clara de maneira aconchegante, o barulho é suportável e a vida é linda? Sabe quando tudo dá certo? Sabe quando você tá apaixonada, tem paciência com todo mundo, procura alguém pra ajudar, pensa de forma saudável, o que você tem pra fazer fica magicamente leve e só olhar pra Lua já te deixa satisfeito?
Pois é...Tá tudo assim. Cons-tan-te-men-te.

Acho que morri e já fui pra outro lugar.
Somewhere over the rainbow?

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Sóu

Entrei no asian mode.
Tentei entrar no asian mode.

Nunca estive tão determinada em toda a minha vida.
Mentira.
Sempre fui determinada, mas agora é diferente.
Agora eu, com coisas reais e necessárias, ocupo minha mente.

Fiz rima por casar com a ocasião.
Sou nuvem, sou estrada, sou paixão.
Sou tudo e mais um pouco.
No final, eu não sou é nada.
Mas sou.

http://www.youtube.com/watch?v=WWfseMcAUZY
vou mostrando como sou
e vou sendo como posso
jogando meu corpo no mundo
andando por todos os cantos
e pela lei natural dos encontros
eu deixo e recebo um tanto
e passo aos olhos nus
ou vestidos de lunetas
passado, presente,
participo sendo o mistério do planeta
o tríplice mistério do 'stop'
que eu passo por e sendo ele
no que fica em cada um
no que sigo o meu caminho
e no ar que fez e assistiu
abra um parênteses, não esqueça
que independente disso
eu não passo de um malandro,
de um moleque do Brasil
que peço e dou esmolas,
mas ando e penso sempre com mais de um,
por isso ninguém vê minha sacola.

Naufrágo

Tou achando que com esse 'meu jeitinho' (à lá Xuxa falando isso) eu vou acabar sozinha numa ilha deserta, tipo o Tom Hanks em Náufrago, só que por vontade própria. E eu não vou contar os dias e nem tentar fazer jangada pra sair dali. Eu vou levar pilhas de papéis e canetas e esvaziar toda a minha mente à medida em que padeço no abismo de pensar e sentir.

Sou uma alienígena com tesão em papel, caneta e pensamentos aleatórios perturbadores.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Museus e planos crus.

Museu tem coisa velha e coisa do passado, certo? E, segundo dizem por aí...Quem vive do passado é museu. Certo? Pois bem. Eu sou o melhor museu do mundo. Além conseguir voltar pro meu passado, eu volto pro dos outros e o pior, vivo e sinto tudo de novo, só que agora. É horrível. Queria entender o 'virar a página' no seu momento mais puro.

Planos são coisas que podem dar errado, certo? E, segundo dizem por aí...Nem sei o que dizem. Pois bem. Eu sou a melhor planejadora do mundo. Além de conseguir visualizar toda a dimensão da coisa (incluindo prós e contras e todas as consequências), eu consigo planejar o papel do outro e o pior, vivo e sinto tudo.Me dá frio na barriga. Queria entender o 'nada é certo' no seu mais puro significado.

Vida é uma coisa incontrolável, certo? E segundo dizem por aí...Ah!Dizem tantas coisas. Pois bem. Eu vivo o ontem, o hoje e o amanhã. Além de conseguir viver e sentir tudo ao mesmo tempo...Bem...Nada além disso. Sou um vórtex de vivência e sentimentos errados, talvez. É horrível! Queria entender o "viver o presente" quando ele estivesse mais despreparado, mais nu, mais íntimo e mais meu.

Mas a verdade é que eu queria mesmo era sumir com alguns restos antigos e esconder os papéis rabiscados de futuro.

Queria entender "quem sou eu" na minha forma mais crua.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Combo 7

Sempre fui feliz. Sempre fui feliz sozinha. Dividir coisas com alguém não fazia parte da minha zona de conforto.
Mas não tem jeito...Ele é meu combo.
Obrigada por me fazer feliz, leve, sorrir e amar há sete meses.

Somos um floco de neve.

sábado, 21 de abril de 2012

Sinestesia mutante



Gosto de "Os Mutantes" porque minha sinestesia é confortável.
É aquele sofá gostoso que te chama depois do almoço, é o vermelho bordô num tubo de esmalte, é o doce certo na hora do filme certo, é a temperatura ideal do seu passeio, é o dia perfeito pra se andar naquela estrada com árvores, é a brisa suave no topo da montanha misturada com o Sol quentinho, é a coberta macia que a gente aperta no meio da noite, é a sala cheia de amigos, é o abraço quentinho da pessoa que a gente gosta, é a risada compartilhada com o melhor amigo, é o olhar que te acalma...


...É a harmonia da vida.